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METADE

“Porra, esta gaja está gorda que nem um pote…. E acha ela que pode andar de biquíni? Não tem espelhos em casa… E olhos na cara? Bolas, que figurinha triste, de biquíni…. Onde é que já se viu? Mas ela acha mesmo que tem corpo para andar de biquíni? Ainda por cima com padrão, às flores, jasuuus…. Se ainda fosse liso… Não, nem que fosse liso… Olhem-me para este rabo, minha nossa senhora… Tem mais crateras que as contas do Estado… Tá gorda…. O que será que lhe aconteceu para se deixar ficar assim? Tá bem que teve 3 filhos, mas caramba… Podia ter feito uma dieta depois do último… Agora ficar assim… Quando a conheci tinha o quê? Menos 20 quilos, ela foi modelo, por amor da santa… Gabava-se tanto disso. Ehehehe, até tem graça. Bem-feita, era convencida que metade só dava. Agora com o dobro do tamanho…. O que é que ela está para aqui a dizer, já não oiço nada, estou pasma com este biquíni. Da última vez que a vi ela teve a lata de me perguntar se tinha ganho peso… Ganda vaca. É bem-feita, para aprenderes. Agora a sério, será uma doença? Não, ela não sabe é fechar a boca. Devia cortar nos hidratos, deixar os doces, toda a gente sabe disso. Quem manda comer tudo o que lhe apetece? Não dá… Já se sabe que depois de uma certa idade isso não funciona… E vem praqui de biquíni…. Perdeu a cabeça. E o marido, não lhe diz nada? Oh, não lhe liga nenhuma, já se sabe… Ouvi dizer que agora anda metido com a Susana da farmácia… A primeira fui eu. O que é que eu tinha na cabeça? O que andava a fazer a dormir com o marido da minha melhor amiga? Mas o cabrão é tinhoso, deu-me a volta… Ah, mas foi bom… Aquelas tardes lá em casa, enquanto o Mauro estava no trabalho… Trazia-me sempre palmiers cobertos… E o sexo era de loucos… O homem sabe o que faz. Só de pensar naquele dia em que o Mauro chegou mais cedo do trabalho e não o apanhou lá por dois minutos… Ai… Que medo. Ai se ele um dia descobre… Mata-me. Já levo porrada só por não fechar bem a porta do frigorífico, imagina se ele descobre-me uma coisa destas… Mas não vai descobrir, como? Só se o cabrão der com a língua nos dentes quando estiverem nos copos…Mas não dá… Ele morre de medo do Mauro. E são amigos, a quem é que ele ia pedir para arranjar o carro, se lhe contasse? Não, ele não conta… E eu também não… E ninguém sabe. Ou será que sabe? Será que o desgraçado contou a alguém? O que é que ela está para aqui a dizer?”

– Ouve-me bem minha ganda puta, apanho-te com o meu marido e dou-te um enxerto de porrada que até andas à roda, estás a ouvir? Ou pensas que eu não sei? Estás a ouvir-me???

 

OUTRA METADE

– Já tiraste? Rápido antes que elas percebam…

“Ela está a tirar a foto com o meu telemóvel. E se ele manda uma mensagem agora e ela vê? Não, ele não faria isso… Sabe que estou com ela, não ia fazer isso… Se calhar até fazia, de propósito para provocar. Já estou a ver: “então, a minha mulher, está boa? Quando é que a despachas para vir ter comigo?”. O engraçadinho era bem capaz de aprontar uma destas… Ai… Espero que não. Se ela descobre… O que é que eu tenho na cabeça, o que ando a fazer a dormir com o marido da minha melhor amiga? Mas o cabrão é safado, dá-me a volta cá com uma pintarola…E é tão bom… Se ao menos não tivéssemos ido passar aquele fim-de-semana os quatro… Se ao menos não nos tivéssemos embebedado ao ponto de cair para trás. Se eles não tivessem ido para a cama mais cedo. Se não tivéssemos ficado os dois sozinhos na sala… Se não tivesse usado a embriaguez como desculpa para deixá-lo beijar-me. Se não me tivesse convencido de que a culpa não era minha, de que estas coisas acontecem. E se conseguisse MESMO convencer-me de que nunca mais voltaria a acontecer. Se não tivesse atendido o telemóvel naquela tarde em que o João estava no trabalho. E ele sabia que eu estaria em casa porque era suposto ela vir ter comigo mas cancelou porque se sentia mal. Se não lhe tivesse aberto a porta com a desculpa (para mim mesma) de que era para por um ponto final em tudo. Só para esclarecer que a culpa tinha sido do vinho, para explicar que não estava em mim, que nunca faria uma coisa daquelas, que não era dessas. Tudo tão bem estruturado na minha cabeça e articulado no meu discurso apenas para acabar de novo enrolada com ele. Raios. E agora? A culpa era do quê? Vinho não havia. Era eu. Ele não passa de um cabrão mas e eu? O que sou eu? O errado que fazemos mostra quem somos na certa? Ou é certo que um dia vamos fazer algo errado? Não. Eu podia ter morrido sem esta no meu currículo. Não precisava disto para nada. Então o que raios ando a fazer? Deixa cá ver se arranjo uma desculpa para isto senão a culpa vai roer-me aos poucos para sempre. É isto que se faz nestas situações, não é? Como é que se lida com uma coisa destas? Como é que se dorme bem depois de se dormir com o marido da melhor amiga? Quer dizer… Ela já não é a minha melhor amiga. (Boa, segue por aí, pode ser que funcione). Desde que começou com esta história de ser modelo já não há paciência para aturá-la. Só fala nisso. E passa a vida a gozar com toda a gente que tem uns quilinhos a mais. Como estas gordas que, ao contrário de mim, não têm culpa de nada.”

– Já está?

  • Imagem: Senhor Ricardo
  • Senhor Ricardo
  • Senhor Ricardo 是種創造性的工作 Crispin Porter + Bogusky London 倫敦機構自 2012 年寫傳記的東西 是不完全根據自己的喜好 並作為反正沒有人會讀 葡萄牙語寫或普通話將是相同的狗屎適當考慮到項目經估算約翰·伍德進行 這裡說的是我最完美的中文谷歌非常完整的傳記翻譯我可以提供 繼續以第三人稱講仍然要享受這他的傳記 並希望大家在今年的大休息 Senhor Ricardo.

  • Palavras: Andrea Ribeiro
  • unnamed
  • Andreia Ribeiro odeia falar de si na terceira pessoa por isso vai manter esta biografia o mais curta possível. Nasceu no Brasil em 1983, filha de pais portugueses que rapidamente sentiram falta da sua terra e regressaram a Portugal, quando tinha 8 anos. Estudou Publicidade e Marketing na Escola Superior de Comunicação Social e não no Iade. Se é para causar desgosto aos pais por ir estudar publicidade ao menos que seja para uma escola pública. Começou na DDB Lisboa em 2005, passou pela Euro RSCG, pela Brandia Central e pela BBDO. Está na Fuel desde 2011, ano em que se casou com a sua dupla, sim, leva isto da dupla muito a sério. Tão a sério que já vai a caminho da segunda filha com a dita dupla.