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Lá vai bomba diz o puto. Hashtag controvérsia: bomba é feminino? É. Mulher. Menina e moça. Como Lisboa. Pois com certeza. Faz sentido. Todo. Toda. Análise histérica. Pindérica. Desenfreada. Hashtag bum. Hashtag bom. Hashtag bomba. Like. Share. Ser social. Paralelismo umbilical. São únicas. Devastadoras. Arrebatadoras. Avassaladoras. Perduram no tempo dos tempos. Interminável. Inevitável. Há que lembrar. Onda de choque que se propaga que nem explosão, tal e qual o género. Se for preciso, até se ata um lenço à perna da vida, para que ela nunca se esqueça. Ela. Elas. E eles. Obviamente. É exclamação. Pontuação. São. Metáforas. Noticias de última hora. Constantemente. Subject de email em caps lock. Há 5 minutos já era. Ontem nunca foi tão passado. Post desesperado. Procura likes perdidos. Procuram ou não procuram? São urgentes. Muito pungentes. Emergentes. Contundentes. Ambas tantas vezes tolas e parolas. Inocentes. Algumas luminosas. Maravilhosamente iluminadas. Grandes. Boas. Frescas e boas. Fofas. Rebentam a rir e a sorrir. Brotam tudo cá para fora. Um tradicional padrão como o papel de parede dos avós. Palavrão. Flores. Arco íris. Atroz. Arroz. Rímel. Batom e uns pós. Uma bomba não tem mentira. Só photoshop. Hum, só às vezes. Bem, nem às vezes. Só quando estoura. E aí, chora. Hora sim hora não. Depois ama. Hora sim hora então. Transparentes. Acreditam em fadas, fantasmas, políticos, duendes, nos signos do correio da manhã. No antigo Papa dos pradas vermelhos e por mais incrível que pareça, até no gajo de armadura e espada em punho sentado no cavalo branco. O tal. O príncipe. Qual? Esse. Ah, ok. Agora, até há no tinder. Príncipezinhos e cinderelas. Embonecadas em aguarelas. Com sorte. Não há meia noite. A noite é delas. Belas. Pumba. Isso. Isso é que é. E logo existe. Fica eternizado no tempo. Imortalizado no histórico do browser. Na alma online da vida. Realmente. Ah, que tolinha tolinha tolinha. Prazerosamente tolinha. Hashtag tadinha. Faz barulho. Ruído. Quando se chateiam é Hiroshima. Ah mulheres de mão na anca. Nagasaki. Nuclear. Esgar. Ar. Onde é que vamos parar? Cogumelo. Cogumelos. Salteados. Conquistas. Quem é que esquece? Esquece. Não é nada. Foi? E já não é? Não. Talvez. Dizem. Quem? Eles. Oh, elas. Para quê? Porquê? Não aquece nem arrefece. A elas? Mais menos. Têm medo. Todos temos. Que nem filhos do Salazarismo. Limitados e enevoados. Tão pesado este fardo. Mega-toneladas de hidrogénio. Génio. Mas não se fala de peso. É assunto sensível. Muito. Atreve-te. É toda uma questão. É parvo. É. Será negações? Ou interrogações? Diariamente. Ninguém lhe pega. Rastilho curto. Ninguém lhe sorri. Ninguém lhe chega. Bum. Rebenta. Hashtag ama. Sustenta. Inventa. Nem esquerda nem direita, ambidestra. Da mão. O avião. Que avião. Dá voltas ao mundo e já viu o fim do mundo, tudo em cuecas. Lingerie. Claro. Dorme nua como a lua. Aluada. A ver bolinhas, estrelinhas e infinitas palavras acabadas em inhas. Uma Florbela que espanca e espanca. Violenta. Como a branca. De sofrimento tem tudo. Grita. Perdida. Dispersa. Sem esperança. Claramente. Tudo. Canta. Encanta. Alto e bom som. Meu Deus, como fazem elas gemer as notas duma guitarra. Ah fadista. Artista. Cigarra. Cega, surda e muda. Presa dentro de um poço sem fundo. Na dor e na ausência. Na solidão. Depressiva, toma xanax não porque é fashion, mas porque precisa. Bebe vodka com red bull. Usa óculos para o estilo. Qual estilo? Estilo. Tipo, blogue. Vá. Mas mastiga pipocas de boca aberta. Não é de modas nem tem modos. Não pede desculpa a ninguém porque nem desculpa tem. Limita-se a libertar a carga. Descarga. Não tem dias. Não tem tempo. Tem roupa de Domingo. Vê a telenovela. Imprevista. Calculista. Divorciada. Separada. Enamorada. Durona. Self made Woman. Hashtag ai. Hashtag ca. Hashtag bomba. lol. Bólide. Boa. Bombástica. Acende o pavio. Nota-se. Vai ao ginásio todos os dias e tem a mania das dietas. Bebe água. Litros de água. Não come batatas fritas. Come sopa de tomate durante semanas a fio. Sacrifica-se. Individualista. Individualista não é egoísta. Não é feia porque não há mulheres feias. Há, é umas que são mais bonitas que outras. Lá está, é como as bombas. Sendo que há muitas execráveis. Com olheiras e olhos grandes. As queixinhas. Bombinhas. Picuinhas. Não fazem o boda. Ficam ali, prontas a explodir e pronto. Pumba. Hashtag Bum. Uma valente dose de proteínas, vitaminas e aminoácidos. Infinitas vezes ao dia. Ok? Não há cá super-mulheres. Mesmo as que trabalham no duro, deviam ter apoio psicológico. Preferem dois empregos e um part-time. Siga. Nunca é preto nem é branco. É amarela. Às bolinhas. Rede interminável. World Wide Web sem fim. Enfim. Tem voz e não fala. Pouco. Rebenta. Ostenta. Tormenta. Baralha e volta a dar. Aproveitamos e erguemos um castelo. Não de cartas. De pedra. Daquela pura. Dura ao estilo do coelhinho que dura. Irra que a mulher até fura. Vai fazendo. Ou é feita. Ainda acordada. Depurada. Ousada. Toca a sirene. Tudo para o bunker. Tudo. Toca ou não toca? Como os primeiros olhos que te deixaram sem dormir? E os últimos? Eram azuis? Verdes? Escuros ou clarinhos? E foram teus? Já foste. Entra por ali dentro como um blitz. Ataque eminente. Pertinente? Ofegante. Foge. Aperta. Liberta. Apanha a boleia do tempo. Contratempo. Não se dá boleia a quem precisa de andar a pé. Com tanto para agarrar, porquê agarrar tão pouco? Com tanto para viver, porquê viver tão louco? Corre. Até as pernas tremer. Mas sem esquecer. Há quem prenda papéis em anéis. Como os que se difundem pelo rio. Há quem escreva nas mãos. Muitos traçam em blocos. Outros, cravam na alma. Calma, não esquecer. É como viver numa ilha deserta que deserta dentro de nós. Como saltar de um penhasco para um lago. Salta. Pocinhas. A nadar. Afunda. Profunda. Na memória. Refletida no espelho de água. Estilhaçada pelas histórias. Aquelas que mergulhamos como se nos perdêssemos num postal. Cor coral. De pele ao léu e olhos no céu. De sal. No corpo. De mar. Amar. Aquele que vai. E fica sem voltar. Sai bomba.

  • Imagem: António Duarte
  • António Duarte
  • Nome: António Duarte (Tobé)
    Gosto de parar o tempo.
    Captar essências, criar histórias.
    Encontrar o timing perfeito entre o disparo e o momento.
    Gosto de viajar no tempo.
    Guardar memórias, reviver momentos.
    Relembrar a minha, a tua, a nossa história.

  • Palavras: João Flores
  • João Flores
  • 35 anos. Ex-Profissional de Futebol. Pai. Criativo. Sim, andou a espalhar magia pelos relvados deste país e até mais além. Marco Histórico: 42 internacionalizações. Campeão da Europa sub-16 em 1996. Já grandinho, teve uma epifania e percebeu que mais do que uma bola ou um golo, eram as ideias que o faziam vibrar. 10 anos depois, e com um inconformado sentimento de realização, passou por algumas das principais agências portuguesas: Lowe, Ogilvy Portugal onde ganhou um Leão de Ouro no CannesLions 2008, BBDO, BAR, NIU e agora Diretor Criativo da Cheil Portugal. Não sabe para onde vai. Mas sabe que está a ir.